segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Chopin por Avdeeva na Fundação Gulbenkian

A propósito do concerto com Yulianna Avdeeva e a Orquestra da Fundação Gulbenkian a que assisti em Janeiro passado, reparei como é diferente a concepção da função de solista e orquestra em Chopin e Beethoven, bem evidenciada nos dois concertos para piano que prefiro entre os de ambos os compositores.
No concerto nº 4 de Beethoven, há um diálogo evidente entre o piano e a orquestra. No segundo andamento, então, dir-se-ia que aos queixumes do piano a orquestra responde tentando arrancá-lo à melancolia. No terceiro andamento verifica-se que conseguiu, a conversa entre ambos é alegre e triunfante.
No concerto nº 2 de Chopin, é o piano que fala, e a orquestra apenas apoia, acentua ou emoldura. Podia-se quase passar sem ela, e o segundo andamento transformava-se facilmente em mais um nocturno.

Aqui fica o Chopin de Avdeeva há dois anos, em Nantes:



O programa de sala do concerto da Gulbenkian está aqui. A Antena2 informou repetidamente mal, trocando Berlioz por Dvorak e a 2ª de Brahms pela 3ª.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

domingo, 29 de janeiro de 2017

Trump e a tortura

Notícia do Observador:

Presidente Trump
Donald Trump: “A tortura funciona. Devemos combater o fogo [Estado Islâmico] com o fogo”
26/1/2017, 10:48
(...) “Falei com oficiais dos serviços secretos e perguntei-lhes: ‘Funciona? A tortura funciona?’ E eles responderam-me: ‘Sim, absolutamente!’ (...)"(...)

A notícia original da ABC News aqui.

O problema é que Trump fez a pergunta errada. O que devia ter perguntado não era se a tortura funciona, mas se podia obter resultados sem recorrer à tortura, que é o que importa a quem se preocupa com a segurança mas não quer abandonar os valores civilizacionais que o separam da barbárie.

Ciganos

Cada vez que há um doente cigano internado e o clã inteiro invade o terreno do hospital lembro-me das razões por que não gosto de ciganos: essencialmente porque não se lavam, porque não recolhem o lixo que fazem, porque vivem à margem mas aproveitam os nossos impostos, porque descuidam os cavalos e os cães, porque não estudam e não deixam as raparigas estudar.

(Faro, Janeiro 2017)

Mas hoje perguntei-me: que raio de sociedade é a nossa, especificamente a nossa, portuguesa, que não consegue convencer estas pessoas a integrar-se na nossa cultura, acrescentando-lhe as eventuais mais-valias da sua própria tradição? E apercebi-me de que conheço muito mal a realidade cigana actual no nosso país, pelo que decidi ir à procura e encontrei online este Estudo Nacional sobre as Comunidades Ciganas, que li e recomendo a quem tiver a mesma curiosidade que eu.

Não respondeu a todas as minhas perguntas, confirmou praticamente todas as minhas ideias, mas pôs-me outras questões. Levou-me a perceber melhor que temos, "nós", os gadjos, responsabilidades na discriminação mas que "eles", os ciganos ou roma, também põem barreiras à integração: afinal, há medo de parte a parte, e cada parte se defende como sabe, uma excluindo, a outra manipulando.
Talvez haja, e espero que haja, desde que alguns de "nós" tomaram consciência dos problemas deste relacionamento e que já alguns d'"eles" os encaram também, maneira de os solucionar, mas vai ser preciso tempo, esforço e motivação.

Se gosto mais dos ciganos depois de ler este estudo? Não sei. Gostava que, para começar, apanhassem o lixo em vez de o deixarem para os funcionários do hospital.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Acidente

Falavam de um acidente envolvendo dois automóveis, um dos quais aparentemente roubado, já que a matrícula não batia certo.
A história metia polícia, seguradoras, um carro numa estrada onde não era esperado, não percebi quem tinha abalroado quem.
E a certa altura o desabafo:

_ Enfim, está ali um brólio que não queira saber!